9.11.11

"amor"

Era estranho a intensidade da sua crença no amor. Ela acreditava no AMOR como se acredita em algo divino, como se fosse uma entidade intocável, embora sonhasse um dia encontrá-lo. Esse tal de "amor" que já tanto a fez sofrer, escorrer lágrimas e criar ilusões. Esse ingrato que fez seu peito doer, seu coração ficar miúdo. Estranho era vê-la escrever "love" e desenhar corações por toda parte, mesmo sem nunca ter sido feliz ao amar alguém. Quer dizer, feliz ela era por amar, mas ao mesmo tempo se sentia miseravel por não ser amada de volta. E pra que tanto falar de amor? Esse misto de alegria e dor, essa doença que se espalha e toma conta da gente? É que quando ela amava, tudo ganhava vida, ficava colorido e ela conseguia sonhar com um possível futuro. É sim, isso acontecia de verdade, não era "coisa de cinema". Mas, espera aí, acho que perdi o foco. Tudo que eu queria dizer é que amor não é tudo e um dia ela vai descobrir exatamente o que é e o que combina com amor. Ela vai entender que amor existe sim, mas precisa saber administrá-lo. E ela vai se dar conta de que quem ama, demonstra esse amor naturalmente, sem precisar necessariamente dizer aquela tão famosa frase de três palavras. Até porque, no final, palavras são apenas palavras e "amor" é uma palavra.

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